| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |
| 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 |
| 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 |
| 29 | 30 | 31 |
2° época - episódio 2
Rola uma banda muito legal essa noite, fazendo rock e intriga, Revistas e Atitudes, e essa música de Raul, "Não fosse o Cabral" tem uma das frases mais reais de protesto: - Falta de Cultura pra cuspir nessa estrutura. Me coloquei a pensar diante do copo que refletia o meu quadro surreal, feliz dessa prisioneira do jardim, nenhuma resposta a nenhuma pergunta, e ao mesmo tempo todas as respostas pra qualquer pergunta. O pincel que deslizou sobre essa tela esteve em mãos habilidosas e anônimas e nós tentamos tantas vezes saber de quem eram essas mãos, mas depois decidimos que talvez o artista ficasse rindo da gente em algum canto da Abadia, dizendo:- tolos! tudo que pensam é despido de realidade, e dentro do jardim da sua mente onde essa prisioneira habita deve haver outras telas, uma galeria de boas intenções feitas más pela nossas mentes bebadas, cheio de intenções excusas feitas lindas por nossas cabeças sóbrias
Cego é o que tenta ver com os olhos
sejam seus , meus, claros, castanhos,
sejam fundos, profundos, belos, estrábicos
os olhos são portas pra alma
sempre abertas, estreitas, escancaradas,
mostram que sabe que sou teu
que te desejo e mostra que me deseja
gosto de olhar nos olhos quando fala
quando treme, quando encara o desafio
quando ama em segredo, quando sente medo
quando grita, qualquer grito, de dor, de prazer, de amor
gosto de olhar o sorriso dos olhos
sorriso sincero, os olhos sempre revelam a verdade
seja ela nua, crua, doce ou amargue a boca, fel
os olhos derrubam os veus, lagrimas, suam amores
assinam sentenças e veem as cores
seus olhos são belos, não dizes
eles mesmos falam que são belos pra mim
e eu fico assim, fixo a esconder meus olhos
a tapar a emoção com a peneira
seus olhos me tiram o juízo quando me fitam
acabam que me atrai, que me cala, mas me fala
e me faz falar sou amante desses olhos
Seus olhos são espelhos d’água
Castanhos profundos, sinceros,
Portas que levam a alma
Ao mais escondido dos segredos
Cidade perdida no meio do nada
Vila do sossego,
Me desassossega esse olhar
Quando me desvenda
Quando me cava, me remove
Da mais profunda areia
Feito relíquia, tesouro
Me traz à luz, me incendeia
Seus olhos são espelhos d’água
Onde me vejo no Narcisismo perfeito
Onde bebo até fartar a sede
Onde colho a flor mais bela
Labirinto onde me perco
Quando acho que conheço tudo
O avesso do comum, o passo
Caminho que se pisa em estrelas
Uma letra belíssima de Roberto Frejat que nos faz pensar, o que seríamos capazes de fazer por alguem ? quando se descobre no coração alguem especial essa letra passa a ter todo sentido do mundo, pena que soframos dia a dia de uma incrivel incapacidade de amar, então quando se descobre alguem por quem faríamos de tudo é bom que se diga logo que, " desejaria todo dia a mesma mulher" por você isso é possivel.
Por Você
Frejat
Por você eu dançaria tango no teto,
Eu limparia os trilhos do metrô,
Eu iria a pé do Rio a Salvador...
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria a prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Por você... Eu deixaria de beber,
Por você... Eu ficaria rico num mês,
Eu dormiria de meia pra virar burguês.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher...
Por você... Por você...
Por você,
Eu conseguiria até ficar alegre,
Pintaria todo o céu de vermelho,
Eu teria mais herdeiros que um coelho.
Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria à prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher.
Por você... Por você...
Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher...
2° época- Episódio 1
Tudo parece tão diferente, mas tudo ainda é tão é igual. Depois da prisão de Andrey, da morte do poeta, do naufrágio dos meus autos da fé.Os Autos da fé eram minha tentativa de ser escritor, talvez eu ainda continue um dia, mas os episódios travaram, amarraram a garganta feito bebida ruim, ou fruta não madura. Ao entrar de novo na Abadia depois de algum tempo reparei as mudanças no espaço fisico, mas ainda existe a mesma nevoa de nicotina e alcatrão, o mesmo cheiro de mil e trezentos perfumes diferentes que se fundem num só, os mesmos anjos e demônios, as mesmas pessoas que ocupam os mesmos espaços como se fossem dali, como se cada canto da Abadia fosse uma nação, uma tribo. Logo caminhei até o jardim, ainda mal iluminado, e sim ela estava ali, a serpente, ocupava sua mesma arvore prateada pela lua, tentava sua Eva diariamente após ter banido pra sempre seu Adão. Uma das mudanças homenageava Jorge, os Barman' s estavam vestidos de monges e as garçonetes de noviças, e soube naquele momento que mesmo estando na Itália viajando atrás de documentos de seus antepassados Jorge estava radiante, sacaneando a Igreja, seu poderes, suas paredes de sepulcros caiados. Eu achei interessante a idéia. Alicinha era uma das novas garçonetes, gostosinha, bonitinha, esperta, logo desvendo esse diminutivo. Me sentei no meu canto de sempre embaixo do quadro surreal, a prisioneira no jardim.
* quem quiser ler a primeira época dos contos da Abadia, procure aí atras no blog, são doze ao todo, vale a pena ler
bom dia a todos.