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Quando cheguei à mesa de sempre tive uma agradável surpresa haviam decorado a parede com um lindo quadro, oleo sobre tela preciso, embora fosse uma tela contemporânea tinha um aspecto envelhecido e isso realmente me encantou, a combinação de cores soturnas mostravam um ambiente de masmorra e a espera eterna de uma jovem sobre a qual o poderoso artista jogou uma luz quase inexistente que a destacou e ao mesmo tempo incorporou àquelas paredes sujas. Me sugeriu ser a dor que espera eternamente o ser humano até que o momento de açoitá-lo apareça e sempre aparece. Não sei quanto tempo passei ali contemplando o poderoso objeto de comunicação espiritual, talvez meros minutos, mas sei que me valeram por centenas de missas.Saí do semi transe quando fui tocado no braço pelo copo gelado do poeta, copo que ele usou também para apontar o quadro e em seguida sem nehuma cerimonia disse: - A passagem por tras do quadro está fechada, não se pode ver o rosto da dor porque para cada um ela apresenta um rosto diferente. Perguntei súbito: - Além de poeta és também pintor? sugerindo ser dele a obra : - Não seja óbvio. Respondeu rindo debochado e depois tentando explicar que conheceu a dor, a sua dor e não a minha. Então pude entender um pouco mais a cabeça do poeta que assinava tantos versos espalhados pela Abadia e que eu gostava de ler nas paredes, e também pude entender o porque versos não se explicam.