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Havia dias que eu não aparecia e a noite passada resolvi ficar ali pela abadia, bebia com as serpentes no jardim sob a luz prateada da lua filtrada pela sombra da macieira. Lá dentro se ouviam cítaras e suas estranhas escalas orientais embalavam quadris compostos de seda e véus mais coloridos que um oásis qualquer, ópio e chás diversos, perfume das índias. O sultão sentado em almofadas acompanhava com palmas e fiquei tentado a saber o que dizia a letra repetitiva da canção que amortecia meus ouvidos, senti o sopro sonoro da serpente a contonar meu rosto e suas palavras entraram no pensamento :- A canção antiga fala de virgens prometidas no céu, além das nuvens onde se chega apenas pela morte heróica: Virgens que foram tentadas pela serpente pensei, e o riso da serpente foi a prova de que ela ouvia meu pensamento assim como eu o dela e mais uma vez o sopro pessonhento falou a razão:- Sua virgem dourada te espera no escuro da noite, onde tudo é mais intenção que gesto, onde tudo é mais ensaio que palco, no futuro do pretérito: Esfriou de repente no jardim e as luzes azuis se apagaram procurei então o calor da caravana sultanesca que do lado de dentro fazia festa. Entre alquimistas, tapeceiros, dançarinas, sultões, Andreys e assassinos me acomodei para mais algumas doses e quem sabe um encontro sutil com a garota dourada.