Futuro do Pretérito

MARCELO MORO WEB BLOG - "Um teatro das minhas ousadias"

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2006

31.08.06

Contos da Abadia X

A morte é uma coisa à toa. Somos todos muito diferentes na forma como pensamos na morte, Jorge a vê como redenção, Andrey se ocupa com a morte dos outros e meu assassino com a  minha. Eu conheci um suícida, ele acreditava na vida após a morte, Humberto Gessinger, grande poeta concreto, fala que "todo suícida acredita na vida depois da morte, pois a vida quando acaba cabe em qualquer lugar". Esse meu amigo foi o único suícida que conheci, é claro que nesse mundo, pois ao lado da serpente que mora nos jardins da Abadia existem muitos, todos como ela feito de substância etérea. Esse amigo quando se encontrou com a morte, quando passou por suas horas de "Getsêmani", suou um poema feito de suor e sangue. Um dia talvez eu o grafite aqui nas paredes da Abadia, talvez nunca, o fato é que ele está comigo e os outros que estavam comigo naquele dia fatídico o apelidaram de poema maldito. Sinceramente o nome não é esse, e prefiro o original "canto para minha paz" que todos ignoram.

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  • Postado em 18:33:00

30.08.06

Sexto Surrealista ( sorriso oculto)

O olhar pra uma janela , na diagonal do tempo

o vento veloz , azul pensamento atroz

Sei que tuas mãos manejam o fogo

Sei que o tom triste desse sorriso esconde desejos

Enigma pra onde corro quando sofro

Decifrar-te seria querer-te

Sabiam meus olhos quando fizeram contato

Mesmo assim arriscado e feliz

Deixei - te passear entre as minhas flores

Desorganizados girassóis, óleo sobre tela

Imaginar cheiros e gestos torna-se doutrina dos versos

Ser livre para dançar em torno da fogueira, acaso

Os vales e campos são seus olhando da escarpa

Seus olhos são os que varrem a solidez da tarde

Preciptando a noite surreal

Onde estrelas e velhos marinheiros se amam

Onde poetas e sorrisos ocultos se encontram

Mesmo que seja no recôndito remoto da alma

Mesmo que sejam nas paginas de um livro

Mesmo que sejam em pedaços pequenos de vidro

  • criado por  Marcelo Moro criado por Marcelo Moro
  • Postado em 18:08:08

29.08.06

O poeta que amou o silêncio

Perdido em meio a um labirinto de livros, sentado na mesma mesa de madeira de lei manejava a pena com destreza o poeta. De seu espírito brotava mais um jogo de palavras, mais um poema para a amada musa, mais uma série de definições, feliz esse dom de definir sentimentos, pessoas são óbvias na sua maioria, sentimentos são ímpares. Era um final de tarde desses onde o vento começa a trazer a maresia e a praia deserta também vai ficando gelada, o céu mostrava um laranja impossivel de se conceber à mão livre. Escondeu rápido os papéis ao ouvir ranger a escada, e lá vinha ela trazendo o melhor café do mundo na hora mais própria do mundo e sempre fora assim, sintonia cumplice. os dois ficaram por ali olhando juntos o laranja do céu e as ondas cada vez mais crispadas do mar da tarde daquele paradisíaco final de mundo. Sozinho de novo o poeta continuou sua obra, há, nem se sabe, quantos anos aquela cena se repetia, as linhas escritas por ele sempre compunham uma surpresa para ela, toda sua obra, toda sua vida. A musa primeira e eterna, significado da sensação amor, inspiração, nunca confirmara que o amava, nunca o dissera, mas a certeza era tanta que o silencio que se seguia após seu sonoro "Eu te Amo" era insignificante e revelador. Privado de ouvir da boca amada o verbo mais doce o poeta sentia, no sabor da sua comida, no aconchego do seu café, na liberdade do seu sexo, na pureza com que depois do banho aparecia vestida com uma flor na cabeça, na intensidade do seu cheiro, do cheiro de suas lavandas, no seu andar....sentia através do silencio tão bem sinalizado que o amor ali residia e sim, amor por ele. Amor eterno que se guia pelas estrelas.

  • criado por  Marcelo Moro criado por Marcelo Moro
  • Postado em 15:52:11

28.08.06

Contos da Abadia IX

Ontem a noite meu assassino particular esteve na Abadia. Sua aparição sinistra desfiando sua silhueta por detras das pessoas foi de congelar os ossos, mas eu sou frio e o conhaque desceu na mesma velocidade de sempre. Atras de mim o quadro, a dor como chamamos eu e o poeta, vai mudando sempre sua expressão e significado, acho que isso é natural das imagens que é o contrário dos assassinos, que predestinados, não mudam sua intenção. A serpente sempre usando bom latim sopra no meu ouvido :- tens medo? - impassivo respondo que não. - Até Ele temeu no jardim nas oliveiras, suou sua morte ali - A serpente conhece meus pensamentos e é muito ardilosa. - Antes que use meu medo para me tentar cala-te serpente infame- Afastada ela passou a me olhar do jardim, ao lado do meu assassino e por detras das pessoas.

* antes que surja a pergunta, sim esse meu assassino é real , ele existe.

  • criado por  Marcelo Moro criado por Marcelo Moro
  • Postado em 17:20:40

27.08.06

Câmeras XI

Câmera lenta,

Leitura labial de um sorriso, essa noite doce véu sobre a cidade, estrelas e caos, inspiração ...saudade!

  • criado por  Marcelo Moro criado por Marcelo Moro
  • Postado em 23:11:14